É cada vez maior a variedade de transtornos que afetam, principalmente, jovens que dão extrema importância a padrões de beleza
Anorexia, bulimia, monorexia, diabulimia, ortorexia e a mais recente descoberta, a drunkorexia, são um problema cada vez mais comum nas famílias brasileiras. Todos estes são variantes de uma mesma questão: transtorno alimentar ou compulsão à ingestão.
Especialistas acreditam que a detecção cada vez maior de casos está ligada à necessidade de se imaginar de acordo com os parâmetros da beleza moderna, ou seja, a magreza, supervalorizada como o primeiro item no atual padrão de beleza universal. “Pessoas que se tornam bulímicas ou anoréticas se preocupam muito com o que os outros pensam da aparência delas. São pessoas que supervalorizam o exterior e a própria superfície, desequilibrando a energia que poderiam investir no seu interior, deixando-o precário e desconhecendo-se de fato”, afirma a psicoterapeuta Dra. Léa Michaan.
A novidade neste tipo de transtorno é a Drunkorexia, expressão criada para indicar a mistura do jejum forçado com o consumo exagerado de álcool, duas condutas bastante conflitantes. Por um lado, bebidas alcoólicas possuem alto teor calórico, por outro, a pessoa não quer engordar.
Como resultado desta mistura ela deixa de comer, já que ingere bastante calorias nas bebidas que consome. “A origem da palavra é inglesa, formada pela junção da palavra drunk (bêbado) com anorexia. Trata-se da primeira filha de dois outros transtornos registrados anteriormente, o alcoolismo e a anorexia”, revela Dra. Léa.
Outro caso de transtorno que vem chamando atenção é a chamada diabulimia. Neste caso, somente as pessoas com diabetes tipo 1 são afetas e, assim como nos demais transtornos, a maioria dos casos registrados é em adolescentes. “Quando o açúcar no sangue está elevado, a pessoa perde peso, e o jeito encontrado por alguns para manter essa perda é simplesmente deixar de aplicar a insulina devida”, declara a psicoterapeuta.
Segundo Dra. Léa, só há um meio para a pessoa se libertar da compulsão de ingerir alimentos, álcool ou drogas, que é entrar em contato com suas reais necessidades. “Os transtornos alimentares, assim como o uso abusivo de álcool ou drogas, nada mais são do que expressões particulares de defesa contra a angústia.
Comer muito ou não comer nada são duas faces da mesma moeda, pois nestes dois caminhos está na boca o lugar que escolhemos para resolver nossas questões, tanto faz se a escolha for a de nos abarrotarmos de comida ou nos privarmos desta, as duas condutas são uma vã tentativa de resolver uma questão de outra demanda que é emocional e psicológica”, finaliza.
*Dra. Léa Michaan é Psicoterapeuta e Psicanalista, graduada em psicologia pela Universidade Mackenzie e Pós-graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP).

5 comentáriosQuando olhei para a imagem acima pensei: Como é difícil alcançarmos um ponto de equilíbrio.
Ouvimos, lemos e assistimos várias matérias que abordam este tema, sabemos tudo sobre alimentação saudável, que devemos comer de tudo em pequenas quantidades, que exercícios físicos faz bem ao nosso corpo e mente, que devemos comer para suprir a fome e não para o desejo de comer , mas nada disso que sabemos consegue mudar nossa forma de se relacionar com nosso corpo e com a comida.
Isto porque esse processo é muito complexo e envolve uma série de fatores das quais não se resume a um simples fechar a boca ou mesmo na força de vontade.
Muitas questões estão envolvidas nessa relação, mas é importante ressaltar que para mudar essa situação tem um dispositivo que precisa estar na posição ATIVADA, que seria o DESEJO.
Desejo sim, pode parecer estranho e você pode me confrontar falando que desejo você tem, mas seu corpo não reage, seu metabolismo é lento, que a comida significa ter um pouco de prazer na vida, …..
A importância de se detectar quais são os principais gatilhos disparadores da sua compulsão alimentar, que faz com que todo conhecimento que tem vá para agua abaixo, será a peça importante que está faltando em seu processo de perda de peso.
Como disse Cristina Cairo em seu livro Linguagem do Corpo 2:” Quando estamos de bem com a vida comemos pouco e, naturalmente alimentos mais leves, como reflexo desse equilíbrio” , mais adiante …” Nós somos o nosso próprio alimento , pois quanto mais nossos pensamentos, palavras e comportamento se mostrarem alegres e positivos, mais os alimentos nos supreenderão e aquele desejo louco de comer doces ou temperos picantes desaparecerá como resultado de um estado emocional manso, satisfeito com a vida e feliz pelo simples fato de existir”.
Concluindo o comentário acima, quando citei no início do texto que temos que ter DESEJO, queria dizer também que , quem quer faz acontecer e procura cuidar do que não está permitindo o equilíbrio tão nescessário para o bem estar, então, está esperando o que?
Luciana Kotaka
Especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade – Curitiba-PR

Os ideais de beleza feminina torturam as mulheres do mundo todo, principalmente as brasileiras. Somos privilegiados por praias, clima, sol, etc. E também pelo descontentamento de nossas mulheres em relação à beleza. Segundo a pesquisa Unilever – Dove, só 1 % de nossas mulheres se definem como bonitas!
Inúmeros estudos focam o conceito. Não há consenso a não ser num tópico: a presença da auto-estima na percepção da própria beleza. O estudo da DOVE ilustra o fato: mulheres mais satisfeitas com outras áreas da vida são mais indulgentes na avaliação da própria aparência. O ingrediente principal, mais do que medidas, cor de olhos ou cabelos, é a presença de uma sólida amizade para consigo mesmo. Gostar de si mesma de forma incondicional! Por incondicional não devemos entender uma “aceitação passiva”, mas a aceitação do próprio corpo com qualidades e defeitos, como ele é, minimizando os defeitos e ressaltando as qualidades. Valorizando o que tem e não lamentando o que não tem! Uma auto-aceitação “ativa”!
A beleza é algo mais complexo do que o espelho mostra. È muito mais a leitura que a mente faz dessa imagem. E a auto-estima é fundamental nessa leitura. É ela quem potencializa a beleza, que faz com que ela “renda”! Sem essa condição interna a mulher pode melhorar consideravelmente sua imagem e continuar se sentindo feia ou, no mínimo, não usufruindo os benefícios da mudança. Mesmo admirada pelos outros continuará não se gostando. Continuará temendo a beleza, sem desfrutá-la!
A busca desenfreada da “perfeição”, impossível de ser atingida, reflete sério comprometimento da auto-estima. Habitualmente reflete mecanismos compensatórios para sentimentos de inferioridade que não tem base na estética, mas em conflitos interiores, e que não serão resolvidos pela estética apenas, mas pela psicoterapia. Difere da vaidade, onde a beleza é um meio de se sentir mais feliz. Reflete um estado patológico, insaciável, onde se torna um fim em si mesma.
Não há beleza absoluta. A beleza é basicamente diversidade, originalidade, individualidade. MUITO BEM REGADA PELA AUTO-ESTIMA!!
Dr. Marco Antonio De Tommaso
• Psicólogo e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo
• Atuou no Amb de Ansiedade do HC USP
• Credenciado pela Assoc Brás para Estudo da Obesidade
• Psicólogo das Agências Elite e L’Equipe de Modelos

Esse assunto é sempre cercado de muita polêmica, em função da publicidade excessiva em torno da perda de peso.
Mas existem dados concretos que vivenciamos na prática clínica sobre esse assunto:
Quando encaramos o emagrecimento como ganho e não como perda
Mas como isso podem se perguntar? Emagrecer faz parte de um processo de novas aquisições comportamentais, tanto práticas como forma de comer corretamente e o que ingerir, como também emocionais, que são formas de lidar com suas angústias,ansiedade, enfim, formas que a levam comer como forma de compensação.
Mudanças internas e não só corporais
Nossa vida é muito complexa, temos relações profissionais, familiares, amigos, enfim, mudar significa adquirir novos comportamento e viver bem com todas situações que envolvem nossa vida, e não só com nosso corpo, afinal, estar infeliz no seu emprego e engolir sapos por não conseguir impor respeito a sua pessoa , também contribui para aumentar sua tristeza levando a uma maior tendência a comer em excesso.
Falar o que sente
Hum, como é frequente essas queixas…. temos medo de expressar o que sentimos, nos colocar, defender, falar sobre nosso desejo….Essa é uma questão de grande importância, que é presente em grande parte das pessoas com sobrepeso/obesidade. Aprender a dizer não quero, não posso, ou mesmo eu quero, eu vou, quando se é contrariada, é um enorme passo a ser conquistado.
Tolerar frustração
Será que sabemos lidar com nossos limites? Um bom exemplo da dificuldade em lidar com a frustração é emagrecer de forma lenta e adequada. Buscamos a perda depeso rápida e de forma mágica, como se resolver a forma de lidar com nosso corpo e com nossas emoções fosse assim tão simples. A psicoterapia é um grande aliado nesse processo, para que possa obter recursos para lidar com os limites da vida e do seu corpo.
Capacidade de autonomia
Você consegue dar conta de você e do seu processo de emagrecimento? O quanto tem iniciativa de ir comprar seus alimentos, organizar sua alimentação para levar para o trabalho, ou mesmo, despreendimento para buscar realizar seus desejos projetos, enfim, buscar vivenciar situações de forma ser responsável por seus atos e consequências.
Vale refletir e identificar quais dos aspectos acima precisa ser alcançado, o que facilitará na busca de suas realizações.
Luciana Kotaka Emagrecimento e Manutenção de Peso Transtornos Alimentares Curitiba -PR















